sábado, 29 de março de 2008

O parto - a 1ªparte - Cor-de-rosa

Foi no dia 23 de Fevereiro, Sábado, estava tudo combinado com o Dr. em estarmos na CUF por volta das 8h para iniciarmos a indução do trabalho de parto.

Na noite anterior, estivemos com pessoal amigo no café muito descontraídos. Todas as pessoas me perguntavam como é que eu conseguia estar tão calma, mas eu estava muito confiante, para além de já ter caminhado muito até chegar aqui, confiava muito no meu médico.

Ao chegarmos à CUF confrontamo-nos com vários casais que tal como nós também iriam conhecer os seus filhotes no mesmo dia, todos com um ar entre o excitado e o assustado. Demos entrada na recepção (onde ainda não tinham o termo de responsabilidade, situação rapidamente resolvida com o funcionário) e cerca das nove da manhã somos instalados no quarto onde iríamos passar por todo o processo até à fase da expulsão. Vesti uma batinha toda janota, e fiquei a aguardar pela visita do Dr. Como sempre, chegou bem disposto e sorridente e fez-me a primeira maldade: a colocação do gel. Foi mesmo muito doloroso! Até trepei as paredes! Logo após a colocação do gel fiquei com dores seguidas e bastante dolorosas. Eu pedi para não ter de me deitar mas o médico não me deixou, ainda me escapei algumas vezes porque pedi para ir à casa de banho e aí desligavam-me o CTG (queriam que eu usasse a arrastadeira) e aproveitava para andar um bocado de um lado para o outro. As dores foram aumentando bastante. Desde que o Dr. me colocou o gel, foram dores sempre em sentido crescente. No início uma dor constante, mas depois foram-se seguindo as chamadas contracções mas espaçadas de muito pouco tempo.
Nós os dois a olharmos para o CTG, a saber que se avizinhava uma contracção. É uma situação um pouco masoquista. Por volta das 11 horas tive de estar um pouco (uma hora) a oxigénio porque a minha princesa estava em esforço. Ajudou-me muito o apoio do maridão, nomeadamente, a esfrega nas costas. Era mesmo o que me aliviava, ele esfregava com força, mas qualquer força era pouca.

Por volta da 13:30, estava eu no auge de tanta dor, chamo o médico e pergunto-lhe:"Dr. quando é que posso levar a epidural?" e ele responde-me: "Quando quiser, diga-me quando achar que as dores já são muito fortes!" E eu "Então é já". O anestesista, muito simpático, passado meia hora lá está e por volta das 14:00 levei a bendita. Explicou-me todo o procedimento, mas na altura de colocar o cateter a minha perna deu um esticão. O anestesista passou-se, disse-me que se o meu espaço epidural não fosse tão grande não sabe o que poderia acontecer, mas, no fundo, correu tudo bem.
Subscrevo todas as descrições positivas que associam à epidural, é mesmo um alívio fantástico.
Depois de levar a epidural, o Dr. vem-me rebentar as águas e colocar a algália. Passado cerca de 20 minutos começo com dores e chamo o enfermeiro que me diz ser normal a epidural durar tão, "deve ser por ser a primeira administração" e dá-me o reforço. Entretanto chega a minha irmã, e na companhia dos dois, começo com dores outra vez, deviam ser uma 15:00, inicialmente, uma dor ligeira que se vai multiplicando a cada contracção. Volto a chamar o enfermeiro, e nisto surge o anestesista, que não acha normal eu já estar com dores. Com ele vem uma enfermeira que me faz a avaliação do trabalho de parto e que se vira para mim e diz: "Claro que está com dores, a cabeça da bebé está aqui. Está com 9 dedos de dilatação". Então, o anestesista explicou-me que por isso é que eu estava com dores, ele estava-me a dar epidural como se eu estivesse no início do trabalho de parto, mas afinal já estava muito avançado. Chamam o meu médico e ele nem queria crer, volta a avaliar e o anestesista dá-me novo reforço de epidural para a expulsão. O Dr. tinha-me dito que não iria estar sempre a fazer o toque, mas parece-me que deixou passar tempo a mais sem fazer qualquer avaliação... Avisa-me de que vai ter de utilizar as ventosas para utilizar a Inês a nascer, já se tinha apercebido mas não me tinha dito para não me assustar.

Eram 15:30 sou encaminhada para o bloco, estamos finalmente prestes a conhecer a nossa princesa. Confesso que pensei: "Já?", mas ao mesmo tempo fui invadida por uma alegria enorme e um desejo de ver a minha menina. O papá é encaminhado para vestir o traje a rigor e já só nos encontramos na sala de partos.

O Dr. diz-me:"Faça força". E eu fiz toda a força do mundo e após 3 puxões a minha princesa nasceu. O Dr. só dizia "Parece que já teve 3 filhos". (A preparação para o parto foi fundamental não só nesta respiração como na fase até levar a epidural) O papá também foi um corajoso, cortou o cordão umbilical da princesa.

Às 15:50 do dia 23 de Fevereiro a Maria Inês nasceu com 3,205kg. A maior riqueza das nossas vidas. Quando o Dr. a tirou, colocou-a em cima de mim, e foi um misto de sentimentos fantásticos, a pessoa ri, chora e naquele instante tudo muda!

A princesa vai para o berçário e o papá vai com ela, enquanto a mamã fica no corte e costura (o Dr. não fez a episiotomia, fiquei com um belo rasgão). É aqui que eu me apercebo que o Dr. está com um ar assustado e pergunto-lhe se está tudo bem e ele responde-me com um sim pouco convincente.

Vamos os três para o recobro, onde gozamos da maior felicidade do mundo. O pai começa a mandar mensagens e a ligar a todas as pessoas e eu fico ali a gozar a minha menina. Pela primeira vez, amamento-a e ela parece que me conhece, um momento único.

Cá fora, começo a ouvir amigos e só me apetece sair dali com a minha menina para partilhar com o mundo a nossa alegria. Tudo tinha corrido tão bem...
É entre estes sentimentos que a enfermeira se vira para mim, após avaliação, e me diz: "Vai ter voltar ao bloco para vermos estas hemorragias". E foi aqui que começou o meu pesadelo!

domingo, 23 de março de 2008

A princesa faz um mês

E sem darmos conta já lá vai um mês. Estamos de parabéns!
Os pezinhos não aparecem porque tirei a foto só com um sapatinho.

Ao colinho da mamã.

A olhar para o papá.

Já estava tão farta de tantas fotografias. Mas até de beicinho é linda!

quarta-feira, 19 de março de 2008

segunda-feira, 17 de março de 2008

Estamos de volta







E cheias de saudades. Este afastamento foi necessário para me recompor e embora não esteja a 100% já estou muito próxima ... (quando me sentir preparada conto-vos tudo o que se passou)

A minha menina é uma princesa e porta-se muito bem e como vêem adora o banhinho.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Apresento-vos: A estrelinha mais desejada!





E aqui está a nossa princesa!
Nasceu no dia 23 de Fevereiro as 15:50 e é a melhor coisa da minha vida.

Como algumas pessoas já sabem, o parto, ou melhor, o periodo seguinte não correu muito bem (para não dizer nada). O parto foi normal e correu muito bem. Eu já estava no recobro quando viram que estava com muitas perdas, a partir daí foi uma sucessão de acontecimentos: 4 transfusões de sangue, 2 noites nos cuidados intensivos sem ver a minha menina, aparentemente é o meu sangue que não faz a coagulação... Desculpem, mas não consigo mais continuar a contar... Já estou aqui lavada em lágrimas, ainda está tudo muito dorido.

Agora tenho de ter forças para recuperar junto do melhor maridão do mundo e da minha princesa. Um beijo grande a todos e continuem a torcer por nós.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Faz hoje um ano...

Que fomos repetir a histerosalpingografia (rx às trompas) e que tivemos a surpresa das nossas vidas: não existia nenhuma obstrução tubária. Ficámos completamente baralhados, já que esse diagnóstico tinha sido feito com base numa histerosonosalpingografia (eco às trompas) e através dele traçámos o nosso caminho, que incluiu uma Fertilização in Vitro e uma Transferência de embriões congelados.
E agora? Será que tinha havido um erro, ou o exame teria possibilitado essa desobstrução? Já tínhamos falado varias vezes com a médica sobre alguma solução para a desobstrução e sempre nos foi dito que não seria possível...
Afinal não foi bem assim, e o nosso problema de Infertilidade ficou resolvido após este 2º exame, já que a gravidez ocorreu no mesmo mês (embora não tenha evoluído).
Será que tudo isto poderia ter sido evitado com uma repetição do exame às trompas, tanto tempo, dinheiro, desilusões, choro...? Acredito que sim!
No entanto, fez-me dar outro valor ao ser mãe e amar esta gravidez como nunca imaginei.

Um ano depois, aqui estou, prestes a conhecer a minha princesa e com a certeza, de que em Julho de 2005 quando decidimos que íamos ter um filhote, embora não imaginássemos o caminho tumultuoso porque iríamos passar, tudo valeu a pena.

Nunca desistam!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Novidades da consulta





Hoje lá fomos nós à consulta, um bocadinho mais ansiosa do que na semana passada, mas correu tudo bem. Este 2º toque foi menos doloroso do que o 1º e surpresa: já tenho alguma dilatação.
O CTG também apresentou algumas contracções, mas a princesa decididamente não gosta de ser posta à prova: é que eu estava a ver que ela nem se mexia. Desta vez comi o chocolate 5/10 minutos antes da consulta...

Mas a parte mais importante é esta: se nada acontecer entretanto, Sábado iremos conhecer a princesa. O Dr. sempre positivo e bem disposto só nos disse: "comer uma torrada e um chá antes de vir e de resto só é preciso calma e descontracção. Antes da hora do jantar já a queremos cá fora". Perguntei se poderia ajudar de alguma forma, nomeadamente, andando durante a indução, mas ele diz que como estão as coisas nem sequer seria necessário.

Estive a tirar umas fotos à barriguinha (salvo seja), pois estes últimos dias de despedida têm de ser em grande.